Insucesso do aluno ou do sistema

A taxa de insucesso escolar, em Portugal tem maior incidência nas camadas sociais mais baixas. Isto pode acontecer devido, as crianças de famílias de classe social alta ou media, terem mais facilmente acesso a recurso diversificados, escolas melhores e até mesmo a explicações fora do horário escolar, o que faz saiam beneficiadas. Deste modo, constatamos que existe uma grande disparidade entre a cultura da escola e a cultura das crianças, o que leva ao insucesso escolar (Charrua, 2014).
Este fenómeno é analisado como reflexo de disfuncionamento ao nível do aluno, da família, dos programas ou do professor” (Charrua, 2014, p.15). Para os professores, a falta de bases, de motivação ou de capacidade dos alunos, e ainda, o disfuncionamento das estruturas educativas, familiares e sociais, são as principais causas. Por outro lado, os pais e o público, em geral, consideram que os professores também são responsáveis (Roazzi e Almeida, 1988). Porém, provavelmente o insucesso escolar vem de ambos os lados, visto que a família e a escola devem ter uma relação de parceria. Por exemplo, mesmo que a criança tenha uma família estável e preocupada com o seu percurso escolar, se esta tiver problemas na escola, seja dificuldade em entender os conteúdos, pouca compreensão por parte do professor, ou até mesmo dificuldade em interagir com os colegas, há probabilidade de não ter resultados positivos, o mesmo acontece ao contrário.
Isto leva-nos a pensar se a escola é realmente justa? Se está aberta para todos, respeita as individualidades de cada um e não discrimina grupos ou individuais? Os que defendem uma resposta positiva, acreditam, que todos os indivíduos têm acesso igual à educação o e atribuem à escola um papel importante para a mobilidade social, independentemente da sua cultura e da classe social. Em contrapartida, os que respondem a esta questão de maneira negativa, consideram que a escola é instrumento de manutenção e até mesmo de agravamento das diferenças sociais (Roazzi e Almeida, 1988). Ainda, alguns autores apontam a escola como um dos fatores na reprodução social e conservação dessa estrutura, pois desempenha um papel fundamental na difusão das relações sociais, aviando as diferenças sociais numa sociedade dividida em classes (Bordieu, 1972; Harper et al., 1980; Snyders, 1977 cit. In Charrua, 2014).
Deste modo, podemos concluir que além do sucesso escolar estar ligado à origem social do individuo, pode contribuir para o aumento dessas diferenças sociais, pelo facto de alguns professores os poderem discriminar e duvidar das suas capacidades. Todos os alunos têm o seu potencial, e devem ser tratados da mesma maneira, independentemente da sua origem.
É importante ressaltar, que já é visível uma evolução a esse nível, antigamente as diferenças sociais eram muito mais evidentes, e acreditamos que com o passar dos anos irá diminuir ainda mais.
